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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A civilização Romana - parte 2 - A organização de Roma.

A organização social

A sociedade romana dividia-se basicamente em dois grupos:
  • Patrícios (de patres, pais, chefes de família): formavam a aristocracia de Roma. Eles pertenciam a famílias que se consideravam descendentes de um antepassado comum. Eram os mais ricos, possuíam mais gado e terras. Por muito tempo, apenas os patrícios puderam lutar no exército.
  • Plebeus (de plebs, multidão) eram os mais pobres, viviam como agricultores ou artesão e geralmente trabalhavam para os patrícios. Não tinham participação no governo da cidade. Mesmo quando enriqueciam não podiam participar intensamente da vida política de Roma.
Também havia os clientes, um grupo intermediário entre os patrícios e os plebeus. Em geral, esse grupo era constituído de pessoas pobres, escravos libertos, estrangeiros ou filhos ilegítimos que dependia da proteção de um patrício para sobreviver.
Os clientes fazia parte da família do patrício protetor, mas não tinham direitos. O cliente recebia do patrício terras, gado e proteção. Em troca, deveria ajudar seu patrão em caso de guerra ou até auxiliá-lo economicamente. Para o patrício, quanto maior o numero de clientes sob sua proteção, maior era seu prestígio social e político
Nessa época já existiam escravos, mas ainda eram poucos, se comparado ao tempo posterior da república e do império.

A organização política

A primeira fase da história romana iniciou-se em 753 a.C., a data da fundação da cidade. Nessa fase,  Roma teve uma forma de governo monárquica. Os últimos reis foram etruscos.
Durante a monarquia, o rei era eleito pelo senado, um conselho formado pelos chefes das famílias patrícias de Roma. Cabia depois aos comícios curiais aceitar ou não o rei eleito pelos patrícios no senado.
A Comitia Curiata, como se chamavam, eram assembléias compostas de guerreiros com até 45 anos.
Os reis podiam declarar guerras, administrar a justiça e presidir os principais rituais religiosos. Mas os reis não tinham poderes ilimitados. O rei devia ouvir a opinião do senado em todas as questões relativas à cidade e também dependia das assembléias para garantir seu poder.

O fim da dominação etrusca

No final do século VI, os reis etruscos enfrentaram vários problemas. Ao se dirigirem para o sul da Península Itálica, encontraram um conflito com os cartagineses. Ao norte, próximo à região dos Alpes, enfrentaram os gauleses. 
Durante o domínio etrusco, a aristocracia romana se fortaleceu, enquanto a situação dos plebeus ficou mais díficil. Contantemente endividados com os patrícios, muitos plebeus eram transformados em escravos.
A crescente presença da população plebéia de Roma no exército fez com que os soldados exigissem maior participação política.
A assembléia do povo em armas, os chamados "comícios por centúrias", tornou-se mais importante, deixando de lado pelos comícios curiais.
Enfraquecidos com as guerras e enfrentando oposição dos patrícios em Roma, os etruscos acabaram expulsos em 509 a.C. O fato marcou o início da república, um novo momento da história na cidade.

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A civilização Romana - parte 1 - A formação de Roma

Vista do Rio Tibre, em Roma, 2012.

Pequenos núcleos às margens do Tibre

A região onde surgiu a cidade de Roma era habitada desde o século X a.C. pelos latinos. Eles moravam em aldeias no alto dos montes e viviam basicamente como pastores, embora também caçassem. 
Estudiosos analisaram vestígios encontrados no Monte  Palatino e concluíram que, por volta do século VIII a..C., formou-se uma comunidade naquela região. A comunidade era composta de várias aldeias latinas unidas provavelmente para se defenderem dos sabinos, outro povo que também vivia na região

A influência etrusca

(Clique para ampliar)
Os etruscos viviam ao norte de Roma e dominavam toda a região que se estendia da margem oposta do Rio Tibre até terras além do Rio Arno (veja o mapa). Ainda não se sabe ao certo a origem dos etruscos, mas sabe-se que eram um povo de comerciantes e navegadores, com intensos contatos com os fenícios e as colônias gregas do sul da Península Itálica.
Por volta de 600 a.C., os etruscos chegaram a Roma para aumentar suas rotas de comércio. Comerciantes e artesão estabeleceram-se na nova cidade, mas não dominaram Roma militarmente. Aos poucos, ligaram-se às famílias ricas, por casamentos ou por prestação de serviços.
Muitos costumes romanos, alguns deles de orgiem grega ou fenícia, foram influenciados pelos etruscos. Por exemplo, o hábito de vestir túnica, algumas práticas religiosas, como a interpretação da vontade divina por meio da observação das vísceras de animais e o culto a Júpiter e a Minerva. A própria cidade de Roma cresceu muito com os etruscos: o comércio aumentou, canais de drenagem foram construídos para secar os pântanos nas planícies e a área do Fórum formou-se o centro da cidade, local de mercado e assembleias políticas

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cotidiano e Cultura Grega Antiga - parte 6 - A arte grega

A pintura

Vaso ático com figuras pretas
A pintura de vasos de cerâmica foi muito praticada em toda a Grécia. Pintavam-se desde personagens míticos até cenas de batalha ou da vida cotidiana. Duas técnicas eram as mais utilizadas:
Vaso ático com figuras vermelhas.
  • A figura negra. As figuras eram pintadas com verniz negro e os detalhes eram feitos com um estilete.
  • A figura vermelha.  A cor negra era usada no fundo e as figuras eram deixadas no vermelho.
Os edifícios públicos e os interiores das casas também era pintados, mas poucas dessas pinturas chegaram até nossos dias

O teatro grego

O teatro, como conhecemos hoje, é uma invenção grega. Era um ritual de homenagem a Dioniso, deus do vinho e da alegria, e uma forma de corrigir os defeitos do ser humano.
Todos os personagens do teatro, eram representados por homens. Os atores usavam máscaras para representar diferentes papéis, inclusive os femininos.
Com exceção dos escravos, todas as pessoas podiam assistir aos espetáculos teatrais, devendo pagar pelo ingresso. Durante o espetáculo, vendedores ambulantes ofereciam comida e bebida ao público.
Havia dois tipos de espetáculo: a tragédia e a comédia.
  • A tragédia provocava pavor e pena no espectador, com o objetivo de corrigir seus defeitos e forma-lo como cidadão justo e correto.
  • A comedia provocava riso. Por meio do riso, se fazia uma dura crítica aos aspectos da sociedade que eram considerado negativos.
Em síntese, a tragédia levava o espectador a refletir sobre os grandes problemas da vida através do medo, e a comédia o fazia por meio do riso.

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Cotidiano e Cultura Grega Antiga - parte 5 - A arte Grega

Os deuses inspiram a arte

Zeus, o mais importante Deus grego
A literatura, a arquitetura, a escultura e a pintura gregas utilizavam-se muitos temas e heróis míticos para expressar artisticamente seus valores, ou seja, sua visão do que era certo ou errado, do que era feio ou belo. Ao olharmos hoje, por exemplo, a escultura de Afrodite ou a de Hércules, estamos vendo não apenas a forma como os gregos representavam os deuses e heróis, mas também o que eles consideravam belo e harmonioso.

O templo grego

Os gregos construíam templos que abrigavam o deus protetor da cidade-Estado. Os templos gregos tinham três características:
  • Proporções exatas e harmonia. Para atingir esse objetivo, os arquitetos seguiam regras matemáticas muito precisas.
  • Os edifícios não eram colossais, como no Egito. Ele se destacavam por suas proporções. Todas as dimensões das partes do templo dependiam de uma unidade. Por exemplo, em alguns a unidade era o diâmetro da coluna, outros era o raio.
  • Os templos eram construídos com pedra. Os mais bonitos eram construídos com mármore branco.
O século V foi o período de construção dos monumentos mais importantes da arquitetura grega, especialmente na cidade de Atenas. O mais importante deles é o Pártenon, um templo construído em acrópole em homenagem a Atenas Partenos, a deusa protetora da cidade.

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Cotidiano e Cultura Grego antiga - parte 4 - Mito e Religião na Grécia Antiga

Homens e deuses

Pintura em ânfora grega
A relação dos gregos com seus deuses era diferente da que existe hoje nas religiões cristã, judaica e islâmica, por exemplo. Os fiéis dessas religiões acreditavam em um Deus único, cuja palavra está revelada em livros sagrados: a Bíblia, para judeus e cristãos, o Corão, para os muçulmanos. Além disso, o culto é celebrado em lugares específicos - a igreja cristã, a sinagoga judaica e a mesquita muçulmana.
A religião grega, pelo contrário, era politeísta e não possuíam um livro sagrado. O culto era celebrado em um altar, do lado de fora dos templos. Lá se fazia uma oferenda, em geral o sacrifício de um animal, a um deus. Após abater o animal, queimavam-se certas partes e os sacrificadores comiam o restante.
Na vida privada, os sacrifícios também tinham um espaço importante. Os gregos ofereciam frutos e animais aos deuses, em troca de proteção da família ou da propriedade e por ocasião de viagens. Eles acreditavam ainda que podiam se comunicar com os deuses por meio de sonhos e oráculos.

Deuses protetores das cidades

Cada cidade-Estado grega cultuavam seus deuses e heróis. Os moradores recorriam a eles para pedir proteção ao território. Santuários e templos eram construídos em homenagem aos deuses, e neles se realizavam cultos públicos em determinadas épocas do ano. Eram como se os deuses fossem padroeiros das cidades.
Em grande parte do ano havia festivais que eram verdadeiros acontecimentos religiosos. Procissões precorriam as ruas da cidade, com as pessoas levando objetos e oferendas aos deuses. As competições esportivas também tinham um caráter religioso. Em Olímpia, por exemplo, faziam-se Jogos em homenagem a Zeus.

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Cotidiano e Cultura Grego Antiga - parte 2 - A vida cotidiana na Grécia antiga

A educação Ateniense.

Em geral, as meninas pobres não aprendiam a ler nem a escrever. Até o casamento, que acontecia por volta dos 15 anos, elas aprendiam com as mães os serviços domésticos. Era o pai que escolhia um noivo para a filha.
Os meninos das famílias mais ricas eram educados por um pedagogo, em geral um escravo, que lhes ensinava a ler, escrever e recitar poemas. Eles também recebiam aulas de música.
A parti dos 15 anos de idade, os garotos frequentavam o ginásio, onde praticavam exercícios físicos e discutiam questões políticas e filosóficas.
Azeite, vinho, pão, mel e frutas, principais alimentos
consumidos pela população grega.
Depois dos 20 anos, o jovem tinha mais dois anos de preparação militar, momento em que se tornava cidadão. 

A alimentação na Grécia Antiga

Os gregos comiam pão, frutas, verduras, vagens e pescados, e temperavam os alimentos basicamente com azeite. O vinho era a bebida naus consumida e raramente se comia carne. Como não conheciam o açúcar, os gregos adoçavam sua comida com mel.

Esparta, uma pólis guerreira

A cidade de Esparta, localizada ao sul da Península do Peloponeso, tinha o exército mais poderoso da Grécia.
A educação espartana era muito rígida. Quando a criança nascia, era encaminhado a um conselho de anciãos para ser examinado. Se a criança parecia ter alguma deficiência, era lançada a um precipício. Se a consideravam saudável, ficava sob os cuidados da mãe.
Após sete anos de idade, os meninos espartanos passavam a viver em quartéis. La se dedicavam ao exercício militar e se habituavam a suportar a dor, a fome e o frio.
Após o pperíodo de treino, os jovens espartanos eram submetidos a um ritual de passagem. Os que não fossem condiderados aptos para a guerra, caíam para uma condição inferior dentro do grupo de espartanos.
Voltados para a Guerra, os cidadãos espartanos sobreviviam basicamente de produtos cultivados em suas terras pelos hilotas. Em Esparta, o comércio externo praticamente não existiam.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cotidiano e Cultura Grega antiga - parte 1 - A vida cotidiana na Grécia antiga

A cidade de Atenas

A vida da  cidade de Atenas se organizava em torno de dois centros princpais: a ágora e a acrópole.
  • A ágora era uma grande praça pública  onde se encontrava o mercado e onde os atenienses se reuniam para passear, conversar e participar das assembléias.
  • A acrópole era a  parte mais elevada da cidade. O local tinha a função de proteger os habitantes da pólis contra a ameaça externa, além de servi de centro religioso. Na acrópole ateniense, estava o Partenon, templo dedicado à deusa Atena, protetora da cidade.

As atividades econômicas

A pólis de Atenas era formada pela cidade e por  áreas rurais vizinhas. Na cidade, os habitantes se dedicavam principalmente ao  artesanato e ao comércio.
Escultura mitológica grega
  • Os produtos artesanais eram feitos em pequenas oficinas que produziam cerâmicas, armas tecidos etc. Os vasos gregos eram em geral pintados com cenas míticas ou com ilustrações da vida cotidiana.
  • Os comerciantes navegavam pelo Mar Mediterrâneo vendendo produtos atenienses e comprando madeira, cobre e principalmente trigo. Os gregos usavam moedas de prata como pagamento.
Os cidadãos atenienses que se dedicavam às atividades comerciais e bancárias eram malvistos pela sociedade. Por essa razão, os metecos (estrangeiros), e os escravos predominavam nesse tipo de trabalho
No campo, os agricultores cultivavam principalmente uva e azeitona, matérias-primas para fabricar vinho e azeite. O trigo, o produto mais consumido e importante da alimentação ateniense, vinha de colônias espalhadas pelo Mediterrâneo.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A civilização Grega - parte 7 - A conquista Macêdonica

A vitória macedônica

Os macedônios viviam ao norte da Grécia e eram considerados semibárbaros e estrangeiros pelos gregos. No século IV a.C., o rei Felipe II reorganizou e modernizou o exército macedônico e iniciou a conquista de áreas gregas ricas em minerais.
Debilitadas pelas guerras e divididas per intensas rivalidades, as cidades gregas foram vencidas pelos exércitos macedônicos em 338 a.C. No ano seguinte, as póleis tiveram que se juntas à Liga de Corinto, dominada pelos macedônios. A independência e o esplendor das cidades gregas chegaram ao fim.

O império de Alexandre

Mapa do Império de Alexandre
Com a morte de Felipe II, assumiu o trono seu filho Alexandre, que ficou conhecido como "o Grande". Uma vez no poder,  Alexandre iniciou a conquista do Oriente. Após onze anos de batalhas, seus exércitos dominaram a Pérsia, a Síria, a Palestina, o Egito, a Mesopotâmia e atingiram a Índia.
Nos territórios conquistados por Alexandre, o grego se converteu em uma língua oficial e estimulou a fusão da cultura grega com as culturas do Oriente. Essa fusão deu origem à cultura helenística.  O centro do helenismo era a cidade de Alexandria, no Egito, onde havia teatros, um museu e uma vasta biblioteca, a maior da Antiguidade.

Veja também: Cotidiano e Cultura grega antiga

A civilização Grega - parte 6 - A conquista macedônica

O domínio ateniense

Ao final das guerras contra os persas, os atenienses formaram uma aliança defensiva com as cidades do Mar Egeu e da Ásia Menor. O objetivo era expulsar os persas do Mar Egeu. A aliança recebeu o nome de Liga de Delos. Cada cidade se comprometia a fornecer homens, navios o dinheiro para a liga. Com os fundos arrecadados para a Liga, Atenas construiu uma grande frota que lhe permitiu controlar todo o Mar Egeu.
Templo de Partenon, Atenas.
Alegando ainda que era preciso reconstruir a cidade, arrasada pelas guerras contra os persas, o governante de Péricles reuniu arquitetos, escultores, pintores, carpinteiros, operários e outros profissionais e os encarregou de embelezar a pólis ateniense. Com o dinheiro da liga, monumentos imponentes e harmoniosos foram erguidos em Atenas, com destaque para o Partenon, templo dedicado à deusa Atena (veja a foto).

A guerra do Peloponeso

Busto de Alexandre, O Grande,
escultura do século II a.C.
A ação foi imperialista de Atenas provocou reação das cidades aliadas. Esparta, apoiada pela maior parte das cidades gregas, resolveu frear o crescente poderio ateniense. Durante 27 anos (431 a.C. -404 a.C.), as forças atenienses enfrentaram seus antigos aliados na chamada Guerra do Peloponeso. Arruinada, Atenas rendeu-se ao domínio de Esparta.
A derrota de Atenas, significou também a ruína da democracia. Vitoriosa,  Esparta impôs o regime oligárquico em toda a Grécia. O domínio espartano, porém, não durou muito tempo. Depois de trinta anos, o exército da cidade de Tebas derrotou os espartanos, dando início à Supremacia tebana.
A guerras contínuas e as hostilidades recíprocas debilitaram as cidades gregas. Enfraquecidas, elas foram facilmente conquistadas pelos exércitos macedônicos de Felipe II no seculo IV a.C.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013

A civilização Grega - parte 5 - A implantação da democracia na Grécia Antiga

A colonização de novas terras possibilitou que o comércio entre as cidades crescesse e a riqueza fosse distribuída para indivíduos fora das elites. Tanto que, no início do século VII a.C., os camponeses, artesãos e comerciantes passaram a exigir maior participação na vida política das cidades.
A grave crise social gerada pela escassez de terras fez com que alguns aristocratas vissem a necessidade de implementar reformas. Sólon foi um desses aristocratas.
No final do século VI a.C., Sólon elaborou um código de leis que proibia a escravidão por dívidas, que afetava muitos camponeses pobres. Ele também estabeleceu que indivíduos mais pobres podiam votar na assembléia popular - a ekklésia -, que escolhia os magistrados. Foi criado ainda a boulé, conselho composto de 500 membros escolhidos pela ekklésia. Esse conselho elaborava leis a serem votadas pela assembléia popular.
Antes mesmo de terminar o século VI novas reformas ocorreram. A ekklésia e a boulé foram fortalecidas com a implementação de um sorteio para o preenchimento das magistraturas. Desse modo, qualque indivíduo, rico ou pobre, podia ser magistrado. Daí o nome desse tipo de governo: democracia (demos, o povo; kratos, poder, ou seja, poder ou governo do povo).

O século de Péricles

Acrópole de Atenas, na Grécia. A acrópole era a parte mais elevada da cidade,
que servia de fortaleza e onde se construíam os templos. 
O regime democrático em Atenas atingiu seu auge sob a liderança do aristocrata Péricles, por volta do ano 440 a.C. Ele insistiu um pagamento para aqueles que exercessem funções pública. Assim, as pessoas mais pobres podiam servi à pólis e receber uma quantia em dinheiro por esse trabalho. Péricles ainda incentivava a atividade econômica e cultural na cidade e ordenou a reconstrução de acrópole, destruída pelos persas (veja a foto). O período em que Péricles comandou Atenas ficou conhecido como "O século de Péricles".

A sociedade ateniense

Em Atenas somente pequena parcela do povo tinha direito de participar da vida política. Isso acontecia porque apenas os homens adultos, filhos de pais atenienses, eram cidadãos e, portanto, podiam votar nas assembléias e ser magistrados.
Os cidadãos mais ricos eram em geral grandes proprietários de terras. Eles viviam nas cidades, onde se dedicavam à política, à filosofia e praticavam exercícios físicos. Os cidadãos menos ricos podiam ser donos de uma pequena oficina, onde trabalhavam com a ajuda de uns poucos escravos e de sua família. Podiam ainda ser donos de pequenos lotes agrícolas. Havia também cidadãos pobres, que trabalhavam em troca de salário.
Em Atenas, estrangeiros, mulheres e escravos não eram considerados cidadãos.

Os estrangeiros

Os estrangeiros, conhecidos como metecos, não podiam possuir terras no território da cidade e pagavam um imposto pessoal. Muitos deles trabalhavam no comércio, no artesanato e praticavam o empréstimo de dinheiro a juros. Havia metecos donos de grandes fortunas e outros que trabalhavam em troca de salário.

Mulheres e escravos

A vida dos escravos e das mulheres variava de acordo com a casa em que viviam. As mulheres pobres tinham que preparar os alimentos e cuidar dos filhos, atividades que as mais ricas podiam deixar a cargo de escravos ou escravas.
Os escravos eram em geral prisioneiros de guerra ou filhos de escravos. Eles trabalhavam em campos, em minas e na produção artesanal. A maioria deles vivia nas cidades.

Veja também a continuação desta matéria:

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A civilização Grega - parte 4 - A vida política na Grécia Antiga

A Atenas aristocrática

Atenas foi inicialmente governada por um rei, Teseu, chefe de uma poderosa família. Teseu teria unificado a Ática, região localizada no extremo leste da Grécia continental, sob o controle político e administrativo de Atenas (veja o mapa). Depois de Teseu,  Atenas teve outros reis.
Por volta de VII a.C., a realiza já não tinha tanto poder. O rei se tornou apenas um dos nove ardontes, funcionários do Estados nomeados anualmente. Até esse momento, os aristocratas detinham o poder político.

A oligarquia espartana

Guerreiro espartano com capacete e atirando
em sua lança.
A sociedade espartana era bem diferente da de Atenas. Em Esparta, todos os cidadãos podiam participar da assembléia, chamada de apela, que era na verdade mais uma reunião de soldados do que em um lugar de debate político. Quem governava de ato a cidade eram membros da gerúsia, conselho formado por anciãos das famílias mais ricas da gerúsia. Por isso, o governo espartano é chamado de oligárquico, ou seja, governo exercido por uma minoria.

O domínio dos esparciatas

Os cidadãos espartanos descendiam dos antigos dórios. Conhecidos como esparciatas ou iguais, só eles podiam participar da vida política da cidade. Proprietários das melhores terras da região, os esparciatas eram proibidos de exercer qualquer atividade econômica. Eles se dedicavam à política e principalmente aos preparativos para a guerra.
Havia também os periecos, que descendiam dos povos conquistados pelos dórios. Os periecos eram homens livres e se dedicavam ao comércio, ao artesanato, ou possuíam pequenas propriedades agrícolas. Eram obrigados a cultivar um lote especial de sua propriedade para os reis espartanos. Em época de guerra, os periecos também participavam do exército.
Na base social espartana apareciam os hilotas, população servil que habitava as terras conquistadas pelos antigos dórios. Por resistir ao domínio espartano, eles foram subjugados e transformados em servos. Os hilotas trabalhavam em propriedades do Estado e dos cidadãos espartanos e não podiam abandonar as terras

Veja também a continuação desta matéria.

A civilização Grega - Parte 3 - As origens da civilização

Do genos à cidade-Estado

Ânfora grega em cerâmica, utilizada
para guardar vinho.
A ruína dos palácios provocou o fim do poder dos reis. A aristocracia guerreira manteve controle sobre os camponeses, mas dentro do grupo aristocrático vários gené (plural de genos) buscavam concentrar poder.
O genos era uma grande família aristocrática que acreditava ter um descendente em comum (que podia ser até um deus). O genos era formado pelos membros de uma família e por seus dependentes, escravos ou livres. O genos incluía também toda a propriedade - gado, terras, casas - sob a autoridade do chefe da família.
O chefe do genos mais poderoso era o rei da comunidade e governava com o auxílio de uma assembléia de guerreiros. A assembléia discutia os assuntos de interesse da comunidade e tinha como princípio igualdade entre todos os aristocratas. Essa forma de governar a comunidade deu origem a um tipo específico de organização política: a pólis ou cidade-Estado. Isso ocorreu por volta dos séculos VIII e VII a.C.

A cidade-Estado grega

Moedas gregas dos séculos V-III a.C.
A pólis pode ser definida como uma comunidade de cidadãos livres que se autogovernavam. Para tanto, dispunham de assembléias e magistrados, e de um conselho que preparava os pontos a serem discutidos nas assembléias, nos conselhos e nas magistraturas. 
Com o tempo, a cidadania foi se ampliando para outros grupos sociais, enfraquecendo os gené. Alguns fatores contribuíram para isso, como a expansão grega pelo Mar Mediterrâneo.

A expansão colonial grega

Por volta dos séculos IX e VIII a.C., a população cresceu rapidamente na Grécia, e as terras agrícolas tornaram-se insuficientes. A constante divisão de terras entre os membros dos gené (do pai para os filhos homens) foi diminuindo de tamanho das terras cultiváveis necessárias para manter as famílias. Em contrapartida, os aristocratas tinham mais terras que os camponeses pobres, que se viam obrigados a trabalhar para eles e acabavam endividados, tornando-se, às vezes, escravos. Essa situação gerou fortes tensões sociais.
Uma forma de obter novas terras e resolver a crise era fundar colônias em outras regiões do Mar Mediterrâneo. As colônias eram chamadas pelos gregos de apoikiai, ou seja,  "afastamento de casa". Elas mantinham laços estreitos com a cidade-mãe, mas eram independentes e podiam até criar outras colônias. Dessa maneira, os gregos foram se espalhando pelo Mediterrâneo.

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